Cristo no deserto
VI
Sexta petição

Et ne nos inducas in tentationem

E não nos deixeis cair em tentação
Nas palavras de Santo Tomás

Não pedimos uma vida sem tentação, pois ser tentado é humano, e a prova, suportada, nos coroa. Pedimos não consentir na tentação e não ser vencidos por ela: ser tentado é humano, mas consentir é ter parte com o diabo.

Dir-se-á: se o Senhor manda pedir «não nos deixeis cair em tentação», seria Deus quem nos empurra ao mal? Responde-se que Deus é dito induzir em tentação quando, por causa dos pecados anteriores, retira do homem a sua graça, permitindo que ele caia; por isso pedimos que não retire de nós a sua mão.

A luz que nos mostra as obras a fazer vem-nos pelo dom do entendimento. E se recusamos o consentimento à tentação, guardamos a pureza do coração; assim chegamos à bem-aventurança dos limpos de coração, que verão a Deus.

Santo Tomás de Aquino, Comentário sobre o Pai Nosso (Collationes in orationem dominicam), §85-87. Tradução do editor a partir do latim.
O coro dos Santos
O adversário nada pode contra nós, se Deus antes não o permitir; para que todo o nosso temor, devoção e obediência se voltem para Deus, já que, nas tentações, nada é permitido ao mal senão o poder que dele vem.
São Cipriano de CartagoA Oração do Senhor, 25
Reflexão

A petição é vigília. Quem a reza reconhece de antemão a própria fraqueza, e por isso mesmo já começa a vencê-la: o soberbo não pede socorro.

Cristo mesmo quis ser tentado no deserto por nós; e nos ensina a pedir, não a ausência do combate, mas a mão do Pai que não se retira na hora da prova.

Oremus

Velai comigo, Senhor, na hora da prova; não retireis de mim a vossa mão, nem me deixeis confiar em mim. Amém.

FONTES
  • Santo Tomás de Aquino, Comentário sobre o Pai Nosso (Collationes in orationem dominicam), §85-87
  • São Cipriano de Cartago, A Oração do Senhor (De dominica oratione), 25