O Retorno do Filho Pródigo
V
Quinta petição

Dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris

Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido
Nas palavras de Santo Tomás

Deste pedido tiramos dois ensinamentos. O primeiro, que o homem sempre tema a Deus e seja humilde. Ninguém, por mais santo, está livre de todo pecado, ao menos venial, salvo Cristo e a Virgem Maria; por isso a todos convém dizer «perdoai as nossas dívidas», reconhecendo-se pecador e devedor. O segundo, que vivamos sempre na esperança, pois, ainda que pecadores, não devemos desesperar.

Mas o Senhor pôs neste pedido uma única condição: que perdoemos ao próximo. Se guardamos rancor e pedimos a Deus remédio, como seremos perdoados? Perdoai, diz o Senhor, e sereis perdoados. E quem pronuncia com a boca «assim como nós perdoamos», ratifique-o com o coração, pois a Cristo, que compôs esta oração, ninguém engana.

Por este pedido chegamos à bem-aventurança dos misericordiosos, porque a mesma medida com que perdoamos nos será medida.

Santo Tomás de Aquino, Comentário sobre o Pai Nosso (Collationes in orationem dominicam), §70-75. Tradução do editor a partir do latim.
O coro dos Santos
Ele nos ligou por uma condição e um pacto: que peçamos as nossas dívidas perdoadas assim como nós perdoamos aos nossos devedores, sabendo que não se alcança o que se pede pelos pecados, se nós mesmos não fizermos o mesmo para com os que nos devem.
São Cipriano de CartagoA Oração do Senhor, 23
Reflexão

É a única petição que traz uma condição, e a condição é a nossa própria mão. Pedimos perdão apresentando uma medida: o perdão que damos não compra o de Deus, mas abre-lhe a porta por onde entrar.

Ela guarda a esperança, pois ninguém que reza «perdoai-nos» está fora do alcance da misericórdia. Mas também julga: rezá-la guardando rancor é pronunciar sentença contra si mesmo.

Oremus

Senhor, perdoai-me como perdoo, e alargai o meu coração para que eu perdoe como quereis perdoar-me. Amém.

FONTES
  • Santo Tomás de Aquino, Comentário sobre o Pai Nosso (Collationes in orationem dominicam), §70-75
  • São Cipriano de Cartago, A Oração do Senhor (De dominica oratione), 23