Oração no Horto
I
Primeira petição

Sanctificetur nomen tuum

Santificado seja o vosso nome
Nas palavras de Santo Tomás

Este é o primeiro dos pedidos: que o nome de Deus, santo em si mesmo, seja manifestado e reconhecido em nós. Não pedimos que o Nome se torne santo, pois já o é, mas que a sua santidade seja conhecida por todos os homens.

Ora, o nome de Deus é, antes de tudo, admirável, porque em todas as criaturas opera obras maravilhosas; por isso disse o Senhor no Evangelho: em meu nome expulsarão os demônios e falarão línguas novas. É também amável, porque, como diz São Pedro, não há debaixo do céu nenhum outro nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos. Tão amável foi este nome a Santo Inácio, que, ameaçado de morte se não o negasse, respondeu que jamais o arrancariam do seu coração, onde estava gravado.

O nome de Deus é ainda venerável: ao nome de Jesus, escreve o Apóstolo, todo joelho se dobre, no céu, na terra e nos infernos. E é, por fim, inexprimível, porque nenhuma língua é capaz de dizer toda a sua riqueza; por isso o designamos por meio das criaturas, e chamamos a Deus rochedo pela sua firmeza, fogo pela virtude que purifica, luz porque ilumina as trevas do espírito.

Pedimos, então, que este nome seja tido por santo. E a palavra santo tem três sentidos. Santo quer dizer, primeiro, firme e estável: assim são chamados santos os bem-aventurados do céu, tornados inabaláveis, ao passo que nesta terra o homem ainda vacila. Santo significa, em segundo lugar, o que não é terrestre; e por terra entendem-se os pecadores, pois a terra que não se cultiva só produz espinhos, como a alma que a graça não cultiva. Santo quer dizer, enfim, tinto de sangue: por isso os que estão no céu são santos, porque lavaram as suas vestes no sangue do Cordeiro.

Santo Tomás de Aquino, Comentário sobre o Pai Nosso (Collationes in orationem dominicam), §27-33. Tradução do editor a partir do latim.
O coro dos Santos
Isto não significa que o nome de Deus não seja santo, mas pede-se que seja tido por santo entre os homens; ou seja, que Deus seja de tal modo conhecido, que nada se julgue mais santo, e nada se tema mais do que ofendê-lo.
Santo AgostinhoO Sermão da Montanha, II, 19
Não que desejemos que Deus seja santificado pelas nossas orações, mas suplicamos que o seu nome seja santificado em nós. Pedimos e suplicamos que nós, santificados no batismo, perseveremos naquilo que começamos a ser.
São Cipriano de CartagoA Oração do Senhor, 12
Reflexão

Antes de pedir o Reino, o pão ou o perdão, a primeira palavra da oração não pede nada para nós: volta a alma inteira para a glória do Pai. É o amor posto na sua ordem verdadeira, o proveito próprio vindo depois da honra de Deus.

Não por acaso a tradição une esta petição ao temor de Deus, o primeiro dom do Espírito Santo. É o temor filial, o receio de ofender aquele a quem se ama, que nos move a querer, antes de tudo, o seu Nome santificado em nós.

Oremus

Pai, santo é o vosso Nome antes que os meus lábios o pronunciem. Que ele seja santificado também em mim, no que penso, no que digo e no que faço. Amém.

FONTES
  • Santo Tomás de Aquino, Comentário sobre o Pai Nosso (Collationes in orationem dominicam), §27-33
  • Santo Agostinho, O Sermão da Montanha (De sermone Domini in monte), II, 19
  • São Cipriano de Cartago, A Oração do Senhor (De dominica oratione), 12