Nos pedidos anteriores, o Senhor nos ensinou a implorar o perdão dos pecados e a escapar das tentações; aqui nos ensina a pedir que sejamos preservados do mal. É um pedido geral, que abrange, segundo Santo Agostinho, todas as espécies de males: os pecados, as doenças e as aflições.
Deus nos livra do mal de vários modos: afastando a aflição, ainda que raramente, pois os que querem viver piamente em Cristo padecerão perseguição; consolando o que sofre; concedendo tantos bens que os males se esquecem; e convertendo a própria tribulação em bem.
É pelo dom da sabedoria que o Espírito nos faz dirigir este pedido ao Pai, e por ele alcançamos a bem-aventurança dos pacíficos, que serão chamados filhos de Deus; pois a paz é o repouso na ordem, que nem a adversidade perturba.
Ao concluir a oração, vem uma cláusula breve que resume todas as nossas petições. Dizemos «livrai-nos do mal», abarcando tudo o que o inimigo intenta contra nós neste mundo; e, uma vez pedida e obtida a proteção de Deus contra o mal, contra tudo estamos seguros, e nada mais resta a pedir.
A última petição recolhe todas: livrai-nos do mal passado, presente e por vir; do mal que sofremos e do que fazemos; do Maligno. É o grito breve de quem já disse tudo.
Por isso a oração termina aqui, e sela-se com o Amém, «assim seja», a palavra da esperança: livrados de todo mal, nada mais faltará, e estaremos na paz que nenhum inimigo perturba.
Livrai-me, Senhor, de todo mal, e dai-me a paz que o mundo não pode dar. Amém.
- Santo Tomás de Aquino, Comentário sobre o Pai Nosso (Collationes in orationem dominicam), §88-93
- São Cipriano de Cartago, A Oração do Senhor (De dominica oratione), 26-27
